PRINCIPAIS CUIDADOS ANTES DE SE ADERIR A UMA FRANQUIA

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Ultimamente as notícias sobre a economia brasileira não são nada animadoras. O aumento da inflação, a diminuição da taxa de investimentos pelo empresariado, o aumento dos juros pelo Banco Central e o alto protecionismo praticado pelo governo brasileiro são alguns dos assuntos que ganham destaques no noticiário econômico.

Como reflexo desta situação, o Datafolha divulgou recentemente uma pesquisa que aponta a preocupação do cidadão brasileiro com esta realidade e, principalmente, com o aumento da taxa de desemprego.

Esta realidade econômica faz com que muitos brasileiros busquem alternativas, como, por exemplo, retornar aos estudos para melhorar seu desenvolvimento profissional ou optar por abrir o seu próprio negócio.

A opção por abrir o seu negócio não significa partir do zero. Uma alternativa crescente é apostar no setor de franquias, porque o modelo de negócio está formatado, os processos, metodologias e ferramentas estão definidos, e a marca já se encontra estabelecida.

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Franquias – ABF, no ano de 2013 o setor cresceu mais de 8% se comparado ao ano anterior, seja em relação ao faturamento, ou em relação ao número de redes de franquia e de franqueados.

Mas antes que alguém se anime com estas informações e se proponha a adquirir uma franquia, é bom lembrar alguns cuidados que o investidor deve ter para que o sonho não se transforme em pesadelo, seja porque criou expectativas irreais em relação ao negócio e ao franqueador, seja porque a rentabilidade não é aquela prometida.

Após constatar a existência de afinidade com o negócio e de estudar o mercado local, o candidato deve promover uma investigação jurídica, contábil e financeira das informações apresentadas pelo franqueador antes de assinar o contrato de franquia. Este procedimento, conhecido como due diligence, é indispensável para permitir ao candidato antever os riscos e aferir a viabilidade do negócio.

A due diligence se inicia com a análise detalhada e sem pressa da Circular de Oferta de Franquia – COF. A COF, instituída pela Lei 8.955/1994, se constitui em uma espécie de resumo da franquia entregue aos candidatos. Nela encontram informações e documentos, como, por exemplo, o contrato social do franqueador; balanços e demonstrativos financeiros; descrição detalhada da franquia e das atividades que serão desenvolvidas; exigências de perfil do candidato; especificações financeiras sobre a aquisição da franquia, royalties e gastos para a sua instalação.

De posse da COF o candidato, pessoalmente ou com o auxílio de uma consultoria multidisciplinar, composta por advogados, contadores e economistas, deve analisar a estrutura societária e a situação econômico-financeira do franqueador; consultar a existência de passivo judicial; pesquisar se a franqueadora é associada da ABF; analisar os números fornecidos pela franqueadora e as estimativas de retorno do negócio; consultar a titularidade das marcas, patentes e imagens envolvidas; analisar as cláusulas contratuais, especialmente de não concorrência e de desistência do negócio.

Alinhado a esta investigação, recomenda-se que o candidato fale também com outros franqueados da rede da qual pretende fazer parte, permitindo, assim, confirmar os pontos positivos e identificar os negativos da franqueadora.

Outra recomendação é a participação em mais de um processo seletivo de franquias. Ao analisar, simultaneamente, mais de um franqueador do mesmo segmento, o candidato poderá identificar, por comparação, qual o modelo de franquia que mais se adéqua ao seu perfil e a sua realidade.

A adoção destes cuidados mínimos não garante o sucesso do novo empreendimento, que, como se sabe, depende igualmente de outros fatores, mas diminui, em muito, os riscos e as perdas financeiras que uma escolha equivocada e muitas vezes apressada pode provocar ao candidato e a franqueadora.

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